January 26, 2010

34 dias à argentina!

Viajar pela Argentina era há muito um sonho. Podemos dize-lo, porque o era. Tudo comecou nos "Diarios de motocicleta" do Che, e logo tivemos ganas de partir tambem à descoberta da Patagónia. Talvez a longa espera à qual nos sujeitamos antes de cruzar o Atlantico tenha contribuido para que a Argentina nos tenha conquistado tao facilmente. Ou nao. Este pais tem mesmo muito para oferecer.

O seu territorio é extenso. De Portugal a Dinamarca. Enorme. Mas bem pouco povoado. Cerca de 40.000, sendo metade vive na provincia de Buenos Aires. Em autocarros que parecem avioes (servem-nos vinho e tudo!) viaja-se centenas de kilómetros sem encontrar nenhum pueblo. Em termos geográficos pode-se agrupar em quatro paisagens predominantes: os Andes, o Norte e a Mesopotamia, as Pampas e a Patagónia. Políticamente divide-se em 23 regioes mais uma, a da Capital Federal de Buenos Aires.

O povo é extremamente simpático, afável, confiante e bueno… irresistivel. O sotaque é dos mais engracados (uma vez, acabadinhas de chegar ao Chile perguntaram-nos se eramos argentinas. Amámos, porque os "x's" conquistaram-nos.).“Os argentinos falam espanhol como italianos, vestem como ingleses e pensam que sao franceses”. Efectivamente, julgam-se os melhores em tudo. Na carne, no chocolate, no vinho, promovem as suas montanhas, cactos, glaciares e lagos como se fossem únicos, quando muitas vezes os paises vizinhos possuem riquezas similares. Mas uma coisa é certa... os argentinos tem um “je ne sais quoi” especial, e encantaram-nos com a sua lábia!

Aqui se saboreia a carne a melhor do mundo (para que nao restem dúvidas!). Várias foram as vezes em que comprámos carne no supermercado para grelhar ou assar. Nao adicionavamo-nos nada, tao pouco utilizavamos uma tecnica especial, a carne é simplesmente rica. Ponto.

Dos tempos das migracoes italianas ficou a gastronomia. 10 refeicoes semanais sao a base de carne, e quatro sao pastas ou pizzas. Nao se safam nada mal com a comida italiana, mas superam-se com as empanadas! Nunca comem peixe. Nem sopa.

Bebe-se cerveja e vinho. Fomos fiel a Quilmes, ao San Telmo (que tem uma botella tao elegante!), e ao Malbec sempre que a carteira o permitia. E depois há sempre o Mate. E o seu ritual de partilha. Com frequencia se encontra artesaos e estudantes com o seu kit (termo com agua quente, mate (a cabaca), boquilha e a erva) na rua.

Ouve-se reggaeton. Baila-se reggaeton. E outros ritmos latinos que todos associamos a este continente.

Um peso argentino (finais de 2009) equivale a 20 centimos de euro. Uma noite num hostel varia entre os 25/45 pesos. Um bom jantar num restaurante acolhedor 50 pesos a cabeca. Uma cerveja de litro num bar 15/20 pesos.

Ah, e as Malvinas sao Argentinas! (Nao podem ter nocao como este é um assunto delicado…)

E segundo Bucas e Mucas, as 7 maravilhas argentinas sao:

1. Parque Nacional Los Glaciares;
2. Salta! O norte argentino;
3. Buenos Aires;
4. Bariloche e a regiao dos lagos;
5. O Bife de Chorizo (que surpresa!);
6. O sotaque argentino;
7. Os argentinos.

Palavras chave: boludo(a), re(antes de qualquer adjectivo), parrilla!, buena onda, viste, mate.

Nota de autor: Foz do Iguacu, em breve te visitaremos, e temos a certeza que serás tambem tu digna de um premio! Argentina... voltaremos! :)

January 6, 2010

ARTentina


Bife de chorizo!

Uma das nossas primeiras refeições na Argentina (a primeirissíma foi o não menos delicioso bifecito!). E a última.

Sabemos que não nos cansamos de falar dele. E nem assim hão de perceber do que falamos. Ele é suculento e saboroso. Ele é único, inconfundivel! Até o provarem não podem dizer que comeram a melhor carne do mundo. Nós podemos!

O drama argentino

Quando aterramos em Buenos Aires percebemos logo que tinhamos de coleccionar moedas. Apesar do seu valor baixo comercial, elas têm um enorme utilidade. Só se pode pagar o bilhete de colectivo (bus) com moedas. Ponto. É um drama. Porque toda a gente quer moedas, e ninguem as dá. Na estação férrea suburbana da capital argentina, pode-se trocar 20 pesos argentinos em moedas, uma vez por dia. Basta aguardar na fila gigante.

O colorido norte argentino

Desde os tempos em que palminhávamos a Patagónia Argentina que nos alertavam para as belezas naturais que pairam no norte do seu país. Menos turística e igualmente especial, é paragem obrigatória para quem viaja para estes lados.


Por dois dias andámos num carro com um guia que sabia justamente tudo. E que, justamente, tentou seduzir a Bucas. No primeiro dia fomos para norte de Salta com um casal grego. Visitámos Pumamarca, Tilcara e Humauaca. No segundo para sul, em direccao a Cachi, com um casal argertino. Vimos montanhas de todas as cores e cactos cordones, a perder de vista. Tivemos o primeiro contacto com a cultura inca, visitando povos bem característicos e genuinos junto à fronteira. Comemos carne de alpaca, animal que pertence à familia dos guanacos... lembram-se?

E depois, há sempre a cidade de Salta. Excelente base para explorar a região. Vida, sol, gente simpática e festa. E cultura. No MAAM (Museo de Arqueologia da Alta Montaña) vimos crianças incas mumificadas naturalmente, num estado de conservação assustador.
No hostel El Andaluz fomos ficando, e os viajantes e nativos que por la encontramos contribuiram para que saltassemos ainda mais. (Sentimos falta das piadas do Miagui.) Aqui comemos o melhor assado de sempre e conhecemos um grupo cusqueño que cantava na Plaza 9 de Maio aquela que viria a ser uma das nossas músicas: "Pachamama".

Salta!

A feira de Córdoba

É o que nos fica de Córdoba.

Em Dezembro faz um calor insuportavel (apesar de ter chovido na nossa curta estadia), por isso a feira dos domingos só começa às 17h da tarde e termina pelas 22h, já com grupos tocantes a animar as calles. Deambulámos horas por entre a multidão de artesãos e compradores. Tudo bonito e diferente. Nós, felizmente, sem dinheiro. Caso contrário teriamos gasto uma pequena fortuna.


Reencontramos o artesão brasileiro que tinhamos conhecido em Buenos Aires. Como se o mundo fosse uma ervilha. Bebemos com ele uma Quilmes.


Ah! E compramos o mais bonito mate de sempre.

January 3, 2010

Empanadas!!!

Enamoramo-nos em Buenos Aires, e desde então satisfazem-nos a qualquer hora do dia. Serão o equivalente às empadas portuguesas, mas mais ricas e variadas. Porco, galinha, vegetais ou pasta de milho. Grandes, pequenas, em massa folhada ou quebrada. Simplesmente deliciosas.

O drama malvino

Lábios de vinho!

Voltamos à Argentina! E que felicidade voltar a saborear o bife de chorizo!

Mendonza é a cidade do vinho. Malbec, Merlot, Cabernet Sauvignon, Chardonnay... tudo castas francesas super bem adaptadas a este calor intenso e à água fresquinha que escorre dos Andes. Obviamente tinhamos de provar para crer.

Alugámos uma bicicleta e percorremos algumas das várias bodegas que existem em Maipu, terra rural ao lado de Mendonza. Para além de delicioso, foi lindo! Aprendemos imenso sobre a produção e armazenamento de vinho, chegando mesmo a distinguir um vinho com 6 meses em barril de um com 1 ano. Foi uma tarde diferente.

E pela primeira vez nas nossas vidas vimos iluminações de Natal de top e chinelos.