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January 26, 2010

30 dias à chilena!

É impressionante como dois países que crescem lado a lado conseguem ser tao diferentes.

O Chile é o país mais comprido do mundo, cerca de 4300 kilometros de comprimento, por 175 kilometros médios de largura. So há duas coordenadas. Norte e sul.

Nao podia ser mais rico e diversificado em termos paisagisticos. Desde o gélido sul ao tórrido norte, passando pela regiao dos lagos, vulcoes e pela praia. E claro, as montanhas andinas sempre à espreita.

Políticamente divide-se em 15 regioes. O Piñeira acabou de ganhar as eleicoes. Sucede à mulher que convenceu os chilenos.

O seu falar e bem cantadito, acelerado, cheio de modismos (expressoes/palavras proprias) e por isso, para estrangeiros nao tao dotados como nós para as linguas, chega a ser impossivel percebe-los. Sao mais modestos que os argentinos, mais desordenados, e mais feios tambem. Mas o seu riso de gozo nao tem concorrente! E nós agora só nos queremos rir assim!

Em termos gastronómicos nao é muito tradicional (e há uma certa tendencia para tomarem como seu o que é genuinamente peruano). Come-se muita papa (batata), empanadas, marisco (também cru), completo (cachorros) e churrascos (um equivalente ao prego portugues, mas mais rico po!). Comem abacate todos os dias, com o que for. Havia salmao, mas foi todo exportado para o Japao.

De tudo um pouco se vende nas ruas. Fruta, empanadas, sumos naturais, brinquedos pequenos, pilhas, telemóveis e afins, acessórios de moda... ah, e sopaipillas em todas as esquinas (tipo fartura em forma de bolacha, e mais gordurosa).

Bebe-se cerveja, e dizem que o seu vinho é melhor que o Argentino. Travam facilmente este tipo de quezilias com os seus vizinhos. Na verdade, tambem o Perú e a Bolivia lhe tem algum ressentimento desde o tempo da guerra do Pacifico, altura em que o Chile retirou o acesso marítimo à Bolivia e se instalou no entao sul peruano. Nesta mesma época, a Argentina, aproveitando-se do facto das tropas estarem concentradas a norte, avançou para a parte mais interessante da Terra do Fogo.

Metade das piadas sao com peruanos, sao muitos em territorio chileno.

Tal como na Argentina, a sua rede de autocarros é bastante funcional. Há imensas compahias a fazer o mesmo servico. E os terminais sao de tal forma gigantes que no ínicio da viagem perdiamo-nos a averiguar qual era o servico que mais nos convinha. Passado 4 ou 5 viagens de bus já eramos experts. Chegavamos ao terminal, dirigiamo-nos para as oficinas e separavamo-nos. Cada uma ia para seu lado. Encontravamo-nos no meio, discutiamos as opcoes e iamos sempre pelo melhor negocio.

A moeda é o peso chileno. Um euro equivale a cerca de 780 pesos. Um churrasco ou dois completos com bebida podem custar 1000 pesos, ou em giria chilena 1 luca. Os precos sao ligeiramente superiores aos da Argentina, com a excepcao dos bilhetes de camioneta que sao mais baratos.

Segundo Bucas e Mucas as 7 maravilhas chilenas sao:
1. Valparaíso;
2. A ilha de Chiloé;
3. Experiencia Navimag;
4. Parque Nacional Torres del Paine;
5. Pablo Neruda;
6. Os modismos e o riso chileno;
7. Os deliciosos churrascos as tantas da manha.

Palavras-chave: cachai?, carretear, palta, churrasco, polola, completo, choro, oié, hueon, po!

January 3, 2010

Empanadas!!!

Enamoramo-nos em Buenos Aires, e desde então satisfazem-nos a qualquer hora do dia. Serão o equivalente às empadas portuguesas, mas mais ricas e variadas. Porco, galinha, vegetais ou pasta de milho. Grandes, pequenas, em massa folhada ou quebrada. Simplesmente deliciosas.

December 29, 2009

Saudades das fronteiras europeias...

Passar uma fronteira na America do Sul significa duas horas mais de viagem.

Fila interminável. Carimbo. Revistam as malas, mesmo que muito superficialmente. Revistam o bus. Não podemos passar nem com uma laranja! Segue-se no bus ou a pé. Voltamos a parar uns kilometros à frente, ja no lado de la. Fila interminavel. Carimbo. Voltam a revistar tudo, com sorte mais rapidamente.

Sem sabermos, aqui nos despedimos do Chile, numa longa espera no meio dos Andes. Um acidente na estrada com duas vias deteve-nos por 5 horas. Salvou-nos o facto de os autocarros chilenos passarem filmes. Vários. E a paisagem. Passámos pelo segundo mais alto pico do mundo: Aconcagua.

Santiago

As espectativas eram baixas. Foram superadas.

Santiago é uma cidade para viver, não para visitar.

Na Piojeira, bar super local bebe-se um Terramoto, cerveja com gelado de ananas. Também há a réplica, versão mais pequena. Os mercados são tão imbativeis como interminaveis. As verduras e frutas tem outra cor. Nos ''Cafes com Pernas" (de mulheres) bebemos uma bica finalmente.

Na ultima tarde, prontas para seguirmos rumos diferentes, conhecemos a Pincel na cabeca e o Victor. Deambulamos que nem verdadeiros hippies, e terminamos numa fiesta de pizza em casa da Sara, amiga de Portugal que nos mostrou a verdadeira capital chilena.

December 22, 2009

A Isla de Neruda!

Depois de visitarmos a casa de Neruda em Valparaiso, ficamos com vontade de conhecer mais um recanto do poeta. A casa da Isla Negra, onde se passa o famoso "Carteiro de Pablo Neruda", não e isla nenhuma. O nome provém da vista que tem, por fazer lembrar uma Isla Negra algures na Asia. Esta era a sua casa preferida. Facilmente percebemos porque. é uma casa inspirada num barco, com tectos baixos, passagens estreitas e soalho de madeira. Neruda viveu aqui com a sua terceira mulher, Matilde Urrutia.

Neftalí Ricardo Reyes Basoalto era uma pessoa especial. Bom vivã. Colecionador de tudo: garrafas, mapas, conchas... Atento a pormenores, proporcionava momentos de festa a quem o rodeava e cuidava muito bem dos seus espacos. Cada recanto das suas casas era especial, tinha uma história. Dizia que a água tinha outro sabor quando bebida em copos traslucidos de cor. Organizava jantares em que cada convidado tinha um prato confeccionado justamente para si, com nome e tudo.

Como muitas vezes nos tem acontecido, cruzamo-nos com o inesperado. Neste caso sob a forma de casa/barco em terra firme. O projecto Nave Imaginaria merece uma nota. Um chileno que tem vindo a construir a sua casa como se fosse um barco. Não ha janelas, há escoltilhas. Toda o visitante é bem vindo. Um Neruda imaginário.

Valpo po! :)

Valparaiso faz lembrar Lisboa, mas com 42 cerros, e bem maiores. No continente das plantas ortagonais, este canto repleto de becos, ruelas e escadas é um bicho raro. As cores e o carisma da cidade despertam em qualquer um os dotes para a fotografia. A atmosfera citadina cria a vontade de ficar mais um dia. Mesmo depois de alguns contratempos, este lugar será sempre especial. O nome diz tudo.

Vende-se de tudo nas ruas. Come-se dois cachorros e uma bebida por pouco mais de um euro.

Conhecemos a Marta, uma senhora chilena, no voo Madrid-Buenos Aires. Com a sua célebre frase: "Es su sueño" ajudou a Mucas a ir ao cockpit de um 747. Dona de um restaurante/espaco cultural em Valpo, recebeu-nos como amigas de longa data e, mais uma vez, foi facil sentirmo-nos em casa.

"Quedamo-nos" em casa do Mauricio e da sua crew... Muy buena onda. Dancamos e cantamos reggaeton e outros sons bem tipicos por estas bandas. O humor chileno conquistou-nos. Foi também aqui que descobrimos que comem palta (abacate) com simplesmente tudo.

As eleicoes estavam a porta. Nunca vimos tanto lixo publicitário.

Neruda apaixonou-se por Valparaíso, nós apaixonamo-nos por ambos.

December 6, 2009

Pelas ruas de Valparaíso

Chilenismos, cachai?

- Oie hueon, vamos a carretear o non?
- Si, pero tengo hambre hueon, antes tengo que comer un completo o un churrasco a la italiana...
- Dale. Entonces voy a buscar mi polola y su amiga choro.
- No hueon, que venga la amiga quatica que es mas guapa, cachai?

- Hey, vamos beber uns copos?
- Sim, mas tenho fome, tenho de comer um cachorro ou um prego com abacate e maionese.
- Ok. Entao vou buscar a minha miuda e a sua amiga mitra.
- Nao, traz antes a amiga personagem que e mais gira, ‘tás a ver?

Nota de autor: A palabra hueon é intraduzivel. Sera um equivalente ao grego “Malaca” e ao “Tio” espanhol.

O verdadeiro fim do mundo

Antes de chegarmos a zona de Santiago do Chile, queriamos visitar a costa. Voltar a ver o Pacifico. Escolhemos Buchupureo (Buchu que?). Por nenhuma razao em especial. Porque sim.

Ficamos uma noite em Chillan, por ser a unica cidade na ruta Panamericana que fazia a ligacao. Dizem que as cores que usamos deixam escapar o nosso estrangeirismo, mas apesar de nos sentirmos bichos raros, foi bom passar por uma cidade real, onde nao ha turistas e tudo é feito para as pessoas que la habitam.

O livro guia esqueceu-se de referir que em Buchupureo nao há nada. Ou melhor, ha um restaurante, um supermercado, meia duzia de casas e vacas. A praia é gigante e linda. Tao inacessivel que a tivemos so para nos a tarde toda. A Mucas apanhou um escaldao do lado esquerdo da cara. Quem a manda dormir de lado.

Adoramos sinais chilenos!

Parque Nacional Villarica

Pucón é um pouco mais a norte de Puerto Varas, ao pé do Parque Nacional Villarica. A paisagem nao e muito distinta, mas é bem mais turistico. E so hosteis, restaurantes e agencias de turismo. Parecia uma estancia europeia. Bendita época baixa. Ficamos no hostel "La bicicleta", cujos donos sao um casal novissimo com dois filhotes super amorosos. Sentimo-nos mesmo em casa.

Tal como em Puerto Varas, também aqui se faz todo o tipo de desportos nauticos e de neve. Tambem há inumeros vulcoes e lagos. (Sim, nunca vimos tantos lagos na vida como neste continente!) Mais uma vez a metereologia nao ajudou. Resolvemos alugar um carro por um dia e "recorrer" o que conseguissemos. Acompanhadas pelo Robinson Crusoe em pessoa, fomos as termas Los Pozones. Depois de um dia cheio de chuva, soube-nos que nem ginjas banharmo-nos nas calientes aguas termais com uma garrafa de vinho na mao.

La poesia es un atentado celeste

Yo estoy ausente pero en el fondo de esta ausencia
Hay la espera de mí mismo
Y esta espera es otro modo de presencia
La espera de mi retorno
Yo estoy en otros objetos
Ando en viaje dando un poco de mi vida
A ciertos árboles y a ciertas piedras
Que me han esperado muchos años

Se cansaron de esperarme y se sentaron

Yo no estoy y estoy
Estoy ausente y estoy presente en estado de espera
Ellos querrían mi lenguaje para expresarse
Y yo querría el de ellos para expresarlos
He aquí el equívoco el atroz equívoco

Angustioso lamentable
Me voy adentrando en estas plantas
Voy dejando mis ropas
Se me van cayendo las carnes
Y mi esqueleto se va revistiendo de cortezas
Me estoy haciendo árbol
Cuántas cosas me he ido convirtiendo en
[otras cosas...

Es doloroso y lleno de ternura

Podría dar un grito pero se espantaría la transubstanciación
Hay que guardar silencio Esperar en silencio

De Últimos poemas, 1948
Vicente Huidobro (Poeta Chileno)

A cidade dos leoes marinhos!

Valdívia foi uma paragem de um dia. As vezes sabe bem. Para nao passar o dia a viajar e para conhecer mais um lugar.

Encantou-nos por 3 razoes.

1. Pela localizacao geografica: na confluecia de dois rios cujas margens sao bem verdes.
2. Pelo cafe/bar/restaurante "La ultima fronteira": dos sitios com mais pinta onde ja estivemos, muy buena onda mesmo, onde tudo é bom, desde a sopa à musica.
3. E por fim pelos leoes marinhos mesmo junto ao porto. Algo impressionante. Imaginem Belém com leoes marinhos. É igual. Ficamos largas dezenas de minutos a observar o seu comportamento a 1 metro de nos. Fazem mais barulho do que movimentos. Sempre a refilarem uns com os outros. O seu maior esforco diario e saltar do rio para a margem dele. Ah, e cocar a barriga!


Siempre con un perro.


Puerto Varas


Voltamos a regiao dos lagos, mas desta vez do lado chileno, a cerca de 100km de Bariloche, onde ja estivemos.

Puerto Varas é a cidade ideal para explorar esta zona repleta de lagos e vulcoes (Osorno e Cabulco)... desde que esteja bom tempo! Apanhamos chuva e nevoeiro todos os dias. Chegamos mesmo a duvidar da existencia de uma paisagem assim tao maravilhosa como os postais apregoavam.

Mesmo assim la conseguimos fazer algo marcante. Canyoning! Seguir o percurso de um rio nadando, escorregando e saltando pelas rochas. Terminou com a descida em rappel, acompanhando uma cascata de 34m (a Bucas é uma cagona!) seguido por um salto livre de 8 metros. Lindo. Foi brutal... e desgastante! As fotos nao ilustram a adrenalina da coisa. Espreitem aqui, os espanhois que estavam connosco tinham uma maquina croma.


Depois foi só relaxar. No melhor hostel onde já estivemos - Casa Margouya. Alta boa onda. Bem colorido! Obrigatorio para quem pernoita por Puerto Varas.

Conhecemos o Rodrigo e os seus amigos que se encarregaram de nos mostrar outro lado do Chile. Uma casinha brutal com vista para o lago, boa companhia, boas discusoes, filmes e musica.

Foi bom... mas vamos ter de voltar. O vulcao faz questao disso.

November 16, 2009

Ilha de Chiloé

Campos que parecem pinturas. Vários tons de verde, azul e amarelo. Sao estas as cores predominantes. Neruda uma vez disse que a chuva foi aqui inventada. Chove 300 dias por ano.

Ficamos em Castro, terra dos palafitos. Num dos dias fomos ao Parque Nacional da Ilha de Chiloé, e pela primeira vez na nossa vida... admirámos o verdadeiro Pacífico!

Conhecemos dois chilenos, o Gonçalo e o Boris, e a Fernanda, a filha de um deles. Ofereceram-nos uma verdadeira local tour. No mercado comemos uma salada de marisco cru como quem come uma salada de polvo. No "Ven a mi", tasca local, bebemos chicha (uma espécie de sidra). Por fim, já no conforto de um lar bem chileno, comemos três belas corvinas. Mais nao podiamos pedir. Quando um dia forem a Lisboa, podem contar com o mesmo tratamento, vale?


Experiência Navimag

Para percorrer a parte mais austral da patagónia chilena só há duas hipoteses: aviao ou barco. Nao há estradas e a maioria dos viajantes vê se obrigado a reentrar na Argentina.

A Navimag é uma empresa naútica de transporte de carga que também transporta passageiros por entre os canais e fiordes que ligam Puerto Natales a Puerto Montt. 4 noites, 5 dias, uma centena de pessoas, um cargueiro.

Foi só comer e dormir.. mas houve várias peripécias, das quais a mais dramática a da válvula que saiu disparada do motor e se alojou no esterno de um tripulante. Veio uma lancha de emergência busca-lo e nos tivemos de regressar para a inspecção. (Ele sobreviveu!)

A única paragem que tivemos foi em Puerto Eden, curiosamente o nome do nosso cargueiro. Nao se devia chamar Puerto. Nao tem porto. É uma terra perdida no meio do nada, sem comunicaçao por terra com o resto do Chile. Vive da pesca e depende dos barcos que ancoram lá regularmente com novos abastecimentos. Ai ainda vive uma pequena comunidade de Alacalufes, habitantes originários da zona.

Passávamos pela sala do capitão sempre que a paisagem o justificava (ou só para ouvir uma das suas estórias no mar!). Uma montanha com forma de animal, a cara de um gigante no horizonte ou um barco encalhado há anos no meio de um canal... mostrava-nos mapas e ensinava-nos como se orientava e como o barco funcionava.

Havia passageiros dos quatro cantos do mundo. De todas as idades! Desde o americano com os seus 70 anos de experiência pelo mundo fora, às 3 crianças sul-africanas lindas (que nos conquistaram!) com quem passámos horas a brincar. Aos poucos fomo-nos conhecendo e partilhando os muitos momentos de ócio. No final já éramos todos uma grande família.

Não é um cruzeiro de luxo. É uma experiencia de luxo.