December 6, 2009

La poesia es un atentado celeste

Yo estoy ausente pero en el fondo de esta ausencia
Hay la espera de mí mismo
Y esta espera es otro modo de presencia
La espera de mi retorno
Yo estoy en otros objetos
Ando en viaje dando un poco de mi vida
A ciertos árboles y a ciertas piedras
Que me han esperado muchos años

Se cansaron de esperarme y se sentaron

Yo no estoy y estoy
Estoy ausente y estoy presente en estado de espera
Ellos querrían mi lenguaje para expresarse
Y yo querría el de ellos para expresarlos
He aquí el equívoco el atroz equívoco

Angustioso lamentable
Me voy adentrando en estas plantas
Voy dejando mis ropas
Se me van cayendo las carnes
Y mi esqueleto se va revistiendo de cortezas
Me estoy haciendo árbol
Cuántas cosas me he ido convirtiendo en
[otras cosas...

Es doloroso y lleno de ternura

Podría dar un grito pero se espantaría la transubstanciación
Hay que guardar silencio Esperar en silencio

De Últimos poemas, 1948
Vicente Huidobro (Poeta Chileno)

A cidade dos leoes marinhos!

Valdívia foi uma paragem de um dia. As vezes sabe bem. Para nao passar o dia a viajar e para conhecer mais um lugar.

Encantou-nos por 3 razoes.

1. Pela localizacao geografica: na confluecia de dois rios cujas margens sao bem verdes.
2. Pelo cafe/bar/restaurante "La ultima fronteira": dos sitios com mais pinta onde ja estivemos, muy buena onda mesmo, onde tudo é bom, desde a sopa à musica.
3. E por fim pelos leoes marinhos mesmo junto ao porto. Algo impressionante. Imaginem Belém com leoes marinhos. É igual. Ficamos largas dezenas de minutos a observar o seu comportamento a 1 metro de nos. Fazem mais barulho do que movimentos. Sempre a refilarem uns com os outros. O seu maior esforco diario e saltar do rio para a margem dele. Ah, e cocar a barriga!


Siempre con un perro.


Puerto Varas


Voltamos a regiao dos lagos, mas desta vez do lado chileno, a cerca de 100km de Bariloche, onde ja estivemos.

Puerto Varas é a cidade ideal para explorar esta zona repleta de lagos e vulcoes (Osorno e Cabulco)... desde que esteja bom tempo! Apanhamos chuva e nevoeiro todos os dias. Chegamos mesmo a duvidar da existencia de uma paisagem assim tao maravilhosa como os postais apregoavam.

Mesmo assim la conseguimos fazer algo marcante. Canyoning! Seguir o percurso de um rio nadando, escorregando e saltando pelas rochas. Terminou com a descida em rappel, acompanhando uma cascata de 34m (a Bucas é uma cagona!) seguido por um salto livre de 8 metros. Lindo. Foi brutal... e desgastante! As fotos nao ilustram a adrenalina da coisa. Espreitem aqui, os espanhois que estavam connosco tinham uma maquina croma.


Depois foi só relaxar. No melhor hostel onde já estivemos - Casa Margouya. Alta boa onda. Bem colorido! Obrigatorio para quem pernoita por Puerto Varas.

Conhecemos o Rodrigo e os seus amigos que se encarregaram de nos mostrar outro lado do Chile. Uma casinha brutal com vista para o lago, boa companhia, boas discusoes, filmes e musica.

Foi bom... mas vamos ter de voltar. O vulcao faz questao disso.

November 16, 2009

As brincadeiras de Poulain e Nino


Ilha de Chiloé

Campos que parecem pinturas. Vários tons de verde, azul e amarelo. Sao estas as cores predominantes. Neruda uma vez disse que a chuva foi aqui inventada. Chove 300 dias por ano.

Ficamos em Castro, terra dos palafitos. Num dos dias fomos ao Parque Nacional da Ilha de Chiloé, e pela primeira vez na nossa vida... admirámos o verdadeiro Pacífico!

Conhecemos dois chilenos, o Gonçalo e o Boris, e a Fernanda, a filha de um deles. Ofereceram-nos uma verdadeira local tour. No mercado comemos uma salada de marisco cru como quem come uma salada de polvo. No "Ven a mi", tasca local, bebemos chicha (uma espécie de sidra). Por fim, já no conforto de um lar bem chileno, comemos três belas corvinas. Mais nao podiamos pedir. Quando um dia forem a Lisboa, podem contar com o mesmo tratamento, vale?


Experiência Navimag

Para percorrer a parte mais austral da patagónia chilena só há duas hipoteses: aviao ou barco. Nao há estradas e a maioria dos viajantes vê se obrigado a reentrar na Argentina.

A Navimag é uma empresa naútica de transporte de carga que também transporta passageiros por entre os canais e fiordes que ligam Puerto Natales a Puerto Montt. 4 noites, 5 dias, uma centena de pessoas, um cargueiro.

Foi só comer e dormir.. mas houve várias peripécias, das quais a mais dramática a da válvula que saiu disparada do motor e se alojou no esterno de um tripulante. Veio uma lancha de emergência busca-lo e nos tivemos de regressar para a inspecção. (Ele sobreviveu!)

A única paragem que tivemos foi em Puerto Eden, curiosamente o nome do nosso cargueiro. Nao se devia chamar Puerto. Nao tem porto. É uma terra perdida no meio do nada, sem comunicaçao por terra com o resto do Chile. Vive da pesca e depende dos barcos que ancoram lá regularmente com novos abastecimentos. Ai ainda vive uma pequena comunidade de Alacalufes, habitantes originários da zona.

Passávamos pela sala do capitão sempre que a paisagem o justificava (ou só para ouvir uma das suas estórias no mar!). Uma montanha com forma de animal, a cara de um gigante no horizonte ou um barco encalhado há anos no meio de um canal... mostrava-nos mapas e ensinava-nos como se orientava e como o barco funcionava.

Havia passageiros dos quatro cantos do mundo. De todas as idades! Desde o americano com os seus 70 anos de experiência pelo mundo fora, às 3 crianças sul-africanas lindas (que nos conquistaram!) com quem passámos horas a brincar. Aos poucos fomo-nos conhecendo e partilhando os muitos momentos de ócio. No final já éramos todos uma grande família.

Não é um cruzeiro de luxo. É uma experiencia de luxo.



November 4, 2009

Onde esta o Wally?

Torres del Paine!

Apenas foi possivel reservar um dia e meio para este parque repleto de montanhas, glaciares (and guess what?) lagos!

Finalmente fizemos um trekking a valer. Caminhámos o dia inteiro (com pequenas paragens, ritmo moderado), cerca de 15 kms. Optámos por fazer o percurso mais famoso e mitico, que nos levou até a base das famosas torres. Isto é, fizemos uma perna do "W", o trekking mais famoso e completo do parque.


95% dos trekkers vinham equipados a seria. Carregavam com eles as mochilonas e o equipamento pro. Nós fomos de ganga e apenas com uma mini mochila cheia de comida! Temos de confessar que nos sentimos um pouco inexperientes! Mas safamo-nos tao bem como eles!


O percurso foi fabuloso. A primeira etapa era chegar ao refúgio nas montanhas, onde iriamos pernoitar. Tivemos de parar umas quantas vezes, porque a nossa forma fisica já nao é o que era, mas as vistas incriveis davam-nos novo alento.


Depois de comermos no refugio o delicioso almoco que andávamos a acartar, seguimos para a base das torres. A primeira parte era facil facil. Depois veio o terror. Inclinacao maxima, sem trilho, só calhaus a resvalar. Mas o perigo nao era grande, so o cansaco. Mesmo antes de chegar ao miradouro para as soberbas torres, ouvimos varios "it's worth it", "you're almost there!". E tinham razao. Mais uma paragem obrigatoria por terras sul americanas.Foi um dia cheio. Tao cheio que nos "acostamos" as 20h a espera de poder usar a cozinha um pouco mais tarde, e adormecemos de estomago vazio.. acordamos quase 12 horas depois!

A acrecentar a esta jornada, so o facto de no primeiro dia termos tido um dia solarengo, que permitia ver tudo! No dia seguinte, quando acordamos estava tudo branco! Nao parava de nevar!... os trilhos estavam todos branquinhos e por uma duzia de vezes iamos caindo. Alta diferenca de paisagem. E assim o clima patagonico.